Guerra ao Terror – 10 anos…

Dez anos de Guerra ao Terror: e agora?

Davi Ruschel

Em 11 de setembro de 2001, militantes do fundamentalismo islâmico ligados à rede Al Qaeda, de Osama Bin Laden, praticaram um ato terrorista, sequestrando quatro aviões e tentando lançá-los contra alvos estratégicos dos Estados Unidos. Os dois aviões que ficaram mais conhecidos foram os que atingiram as torres gêmeas do World Trade Center, derrubando-as, mas um avião também atingiu o Pentágono – sede do Departamento de Defesa –, e outro, que rumava para a Casa Branca, foi derrubado no caminho – a versão oficial diz que os próprios passageiros lutaram contra os terroristas, e a luta, ou a morte dos que sabiam pilotar, teria derrubado o avião, mas desconfia-se de que ele possa ter sido derrubado pela própria força aérea dos Estados Unidos, informação nunca confirmada.

Devido aos avanços nas telecomunicações e nas tecnologias, a informação e as imagens do ataque correram o mundo quase instantaneamente, provocando um fenômeno inédito, visto que todos que tinham mais de 10 anos na época lembram o que estavam fazendo no momento dos atentados. Os que tinham menos de 10 anos também lembram, surpreendentemente. Constatei isso lecionando, ao questionar os alunos de hoje: todos recordam que, naquela manhã, não puderam ver seus desenhos prediletos, pois na televisão só havia imagens das Torres Gêmeas.

Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda, organizador dos atentados, teria apontado os Estados Unidos como seu arqui-inimigo, quando Bush pai utilizou o território da Arábia Saudita como base para as operações militares da Guerra do Golfo, em 1990. O atentado, uma reação à política de intervenções que a grande potência desenvolvia há muito tempo nos países árabes, foi classificado por muitos como “o maior atentado terrorista da história”. Somando os mortos das Torres Gêmeas, dos aviões, do Pentágono, bombeiros que tentavam retirar as pessoas das torres quando elas desabaram, chega-se a, aproximadamente, três mil vítimas fatais. “Maior atentado terrorista da história”. O lançamento de duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945, e as consequências posteriores provocadas pela radiação somaram mais de duzentos mil mortos. Com um claro viés ideológico, essa ação foi classificada apenas como “ato que encerrou a Segunda Guerra Mundial”.

No momento em que ocorreram esses atentados, George W. Bush (o filho) encontrava-se num dos piores momentos de seu governo. A economia dos Estados Unidos vinha enfrentando uma séria crise desde os anos 1990, e o governo passava a enfrentar protestos sucessivos contra cortes nos gastos públicos e contra a ausência de políticas sociais. Devido à economia em crise e à sua popularidade em baixa, a reeleição parecia um sonho impossível para Bush filho e seu grupo. O atentado caiu como uma luva. Bush se tornou o representante de uma nação abalada, que sempre intervinha em outros países como se o mundo fosse seu quintal e que, agora, fora atingida em seu próprio território – pela primeira vez, naquelas proporções – por um inimigo que ameaçava a segurança dos cidadãos da maior potência mundial.

Por causa da queda da União Soviética, os fundamentalistas islâmicos, financiados pelos Estados Unidos na Guerra Fria para conter o avanço dos comunistas nos países produtores de petróleo do Oriente Médio, devido ao corte dos financiamentos, desenvolveram vontade própria e começaram a se rebelar contra os que antes eram seus aliados. Bin Laden e Saddam Hussein foram exemplos disso. Graças ao atentado de 11 de setembro, os Estados Unidos encontraram seu novo inimigo externo e a justificativa perfeita para lançarem-se à caça dos “monstrinhos” que eles mesmos haviam criado. Iniciava-se a “Guerra ao Terror” de Bush filho.

A invasão ao Afeganistão, ainda em 2001, e ao Iraque, em 2003, aqueceram novamente a economia estadunidense – em grande parte dependente da indústria bélica. Saddam Hussein foi facilmente encontrado, “julgado” e executado de forma sigilosa – o enforcamento era para ser fechado, sem qualquer divulgação, mas um celular com câmera no local permitiu ao vídeo ser divulgado – até hoje, é encontrado circulando pela internet. Bin Laden esquivou-se habilmente por quase uma década, até que, em 1º de maio de 2011, sob a administração de Barack Obama, foi finalmente encontrado e executado, tendo seu corpo sido lançado ao mar, segundo informaram as fontes oficiais.

A morte de Osama Bin Laden provocou comoção internacional. No mundo islâmico, alguns comemoraram, muitos lamentaram. Nos Estados Unidos, os cidadãos saíram às ruas para comemorar a morte do que foi apontado como causador de imenso sofrimento àquele povo, mas saíram com cartazes pedindo, principalmente, que se encerrasse essa guerra sem sentido para muitos, que tem levado à morte centenas de jovens estadunidenses, que são enviados para servir nos países invadidos. A ilusão de que a morte de Bin Laden porá fim à “Guerra ao Terror” não durará muito tempo nos Estados Unidos. Logo os cidadãos se darão conta que de o caminho que se adotou na administração de Bush filho, ao se optar pela invasão ao Afeganistão e ao Iraque, é um caminho sem volta.

O Iraque tem hoje um governo fantoche garantido pelos Estados Unidos, que enfrentam protestos e oposição diária por parte dos iraquianos. O Afeganistão vive uma guerra civil, os afegãos lutam contra os invasores de seu território – como já haviam feito contra os soviéticos na década de 1980 – os estadunidenses. Alguns já chamam o Afeganistão de “Novo Vietnã” dos Estados Unidos. Ficando lá, o governo dos Estados Unidos enfrentará uma oposição cada vez maior, agora também interna, pois, devido à  morte de Bin Laden, pode crescer o movimento pelo fim da guerra. Se saírem de lá, podem deixar uma situação pior do que encontraram, e os fundamentalistas podem vir a assumir o poder, colocando a culpa dos velhos – e agora dos novos – problemas nos Estados Unidos, gerando ainda mais inimigos e, talvez, mais atentados.

Tanto os Estados Unidos como seus apoiadores da Europa elevaram o nível de alerta contra atentados, e os próximos passos dos extremistas islâmicos são imprevisíveis. A história não acabou, como gostaria Fukuyama; pelo contrário, estamos assistindo a um momento crucial da história. As novas tecnologias permitem que as informações corram o mundo com uma velocidade impressionante, ao mesmo tempo que proporvionam que redes de extremistas se comuniquem e mantenham sua atuação coordenada em diferentes locais do planeta. Preparem-se para os próximos episódios.

by Davi Ruschel on junho 7th, 2011 in História Geral, Notícias do Mundo

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